terça-feira, 10 de maio de 2011

Não há mais festa !

Ultimamente o ''oba-oba'' e o ''já ganhou'' está muito em voga entre grande parte da torcida do Inter.
O que reflete a postura hegemônica da torcida já há algum tempo. Veio Falcão e graças ao marketing da diretoria muitos colorados acreditaram que metafisicamente um grupo de jogadores com seríssimos problemas de vestiário, e ''motivação'' (ver: dinheiro, panelinhas e vaidades), resolveria-se graças  ao toque de midas do Rei de Roma. Os últimos resultados em campo não podiam ser senão a tragédia em dois atos que assistimos pasmos, na quarta e no domingo.


A situação, hoje gravíssima, já fora ''denunciada'' outras vezes inclusive por outros treinadores que estiveram em nossa casamata; basta lembrar de algumas declarações de Mario Sérgio e episódios ocorridos na dita ''Era Fossati'' . Ou os colorados que me lêem esqueceram-se dos rumores de festas nas concentrações à época da chegada de Mário Sérgio? Ou pior, esqueceram-se que o time aguerrido que arrancou uma classificação heróica em La Plata, frente ao Estudiantes de Verón, foi o mesmo que semanas depois perdia para o Botafogo aceitando uma virada escalafobética?


Como podemos ver há tempos o encanto em vestir a camisa vermelha do Internacional está ausente em boa parte daqueles que entram em campo pelo Clube do Povo - e esforço-me para pensar que realmente o é em ''grande parte'' e não na totalidade dos atletas . O apagão frente ao grande Peñarol e o vergonhoso e inaceitável blecaute na virada aceita, em casa, para o portoalgrense são exemplos evidentes de que alguma atitude tem de ser tomada.  


Mário Sérgio, quando de sua chegada ao Inter, ao dirigir-se ao elenco, disse para motivar o grupo que não podia haver incentivo maior para os jogadores do que vestir a camisa vermelha do Inter, o que é básico, fundamental, constitutivo da identidade colorada. Falcão, enquanto treinador, não conseguiu nem mesmo passar aos jogadores o ''sangue nos olhos'' necessário para vencer uma decisão, mesmo tendo a experiência de um verdadeiro craque em campo, em campo. Como frisamos, o problema não reside apenas em nossa casamata, é mais complexo, envolve direção, vestiário, e culmina na política adotada pelo clube nos últimos anos. 


Enquanto o futebol do clube for voltado para aumentar a arrecadação por conta do aumento do número de sócios, teremos em campo uma elaboradíssima peça de marketing, mas não um time guerreiro, aguerrido, COLORADO. E enquanto continuarmos administrando o vestiário de acordo a resguardar e manter os jogadores que mais vendem mercadorias, bonecos e camisetas, e recebem quantias milhonárias todo o mês, estaremos mantendo as posturas, reitero, inaceitáveis que observamos em campo ultimamente; Mazembe, e perder para o portoalegrense em casa, decepções que tendem a tornar-se constantes.


Cabe a ti torcedor dizer não a tudo isso, ao ''oba-oba'', ao ''já ganhou'', aos jogadores que caminham em campo enquando o time perde. Mais que sócios/consumidores das mercadorias do clube,  precisamos de torcida, de Portão 8, precisamos contestar essa política administrativa que enquanto esbanja cifras, caçoa de nosso apoio ao clube que amamos.


Queremos um time aguerido, sem general fardado que posa pra fotos antes do mundial e lá em campo vê o time ser derrotado e nem abre a boca. Queremos o Inter de volta, um clube de uma multidão, não apenas de alguns contribuintes.